terça-feira, 20 de maio de 2008

Comprar a melancia, mas não esvaziar o lago

Vejamos a história de Luiz, tirada do livro Histórias e Fábulas Aplicadas a Treinamento de Albigenor e Rose Militão, que trabalha na empresa há mais de cinco anos, exercendo sua função de forma como sempre foi orientado. Nos últimos seis meses foi contratado um novo funcionário, o José, no mesmo nível de Luiz. Para a surpresa deste, aquele no curto espaço de tempo de contratação já recebera uma promoção. Luiz fica indignado e vai falar com o patrão, que sempre lhe pareceu uma pessoa de bom senso. O patrão ouviu a reclamação de Luiz atentamente. Ao final da explanação prometeu que pensaria na situação, para logo em seguida pedir para que ele fosse verificar se tinha abacaxis na feira do outro lado da rua, pois pretendia fazer uma confraternização entre todos os funcionários no final da tarde. Luiz foi e retornou logo em seguida dizendo que no momento eles não tinham abacaxis. O patrão chama José e lhe dá a mesma ordem na presença de Luiz. José ao retornar dá a mesma notícia, porém acrescenta: “... mas tem melancias, melões e tangerinas, que estão com um bom preço, pois são frutas de época. As bananas, maçãs e uvas também estão com ótima aparência, um pouco mais caras, mas seriam ótimas para a festa”. Após essa explicação José se retira.O patrão olha para Luiz e diz: Esta atitude é uma das razões pelas quais ele foi promovido. Neste exemplo Luiz se mostrou completamente passivo, enquanto José foi proativo, conseguindo acrescentar ações positivas as rotinas da empresa.

Em função de exemplos como esse Proativo é a palavra da moda entre muitos pensadores, gurus do comportamento e orientadores de recolocação profissional. Considera-se proativa aquela pessoa que sempre faz algo a mais do que o esperado, conseguindo ter um diferencial no comportamento e nas suas atitudes, agregando valor. Por outro lado temos a palavra Reativo que caiu em desgraça junto a esses mesmos pensadores. Segundo eles nenhuma empresa ou organização precisa de alguém que seja reativo, ou seja, um crítico que oponha alguma reação ao proposto. Neste ponto vem a discordância. O que as empresas e organizações não precisam são pessoas de comportamento passivo e sem atitude, como no exemplo acima foi Luiz. Mas por outro lado as pessoas que compõe uma empresa ou organização devem ser um tanto quanto reativas no sentido de questionar e saber para que serve o que se está fazendo. Não podemos simplesmente sair executando ordens, melhorando os resultados se existem objetivos na empresa onde trabalhamos não lícitos ou gerem problemas para nós, nossa comunidade e para o nosso planeta. Se o patrão tivesse pedido para que um funcionário proativo como o José, sem características reativas, na calada da noite esvaziasse um lago de resíduos tóxicos, deixando-o vazar para um rio, certamente ele o faria esvaziando todos os lagos. A proatividade por si só não é uma virtude, ela tem que ter consciência e responsabilidade com relação aos seus atos. Não se pode mais aceitar pessoas que se defendam dizendo “Mas foi o chefe que mandou!” Num exemplo como o dos resíduos deve haver uma postura reativa dos funcionários, pois uma atitude como essa traria muitos prejuízos a todos.
Por isso a necessidade de avaliar as atitudes que tomamos como profissionais e como pessoas, sempre encontrando o Ponto de Equilíbrio entre ser Proativo e Reativo. Portanto, devemos ser proativos o suficiente para comprar a melancia, mas reativos o bastante para questionar o esvaziamento do lago.

2 comentários:

Anônimo disse...

Moa, esse texto é ÓOtimoo!!!
Beijo,
Vânia

Moacir Rauber disse...

Ele é simples, mas levanta uma questão sobre a proatividade sem nenhuma reflexão, que pod ser para o bem ou para o mal. Quer alguém mais proativo do que o Fernandinho Beira-Mar...
Obrigado pelo comentário!!!